terça-feira, 15 de outubro de 2019









A caminho da audiência me sentia tranquila, reli com atenção a petição preparando-me para a instrução.
Muitas vezes demoro dias fazendo a petição, mas, a demora do judiciário na marcação da audiência me distancia tanto do que eu mesma escrevi, que as vezes me surpreendo ao reler a petição, e desta vez não foi de outro modo.
A base do pedido dependia de prova testemunhal, e tremi nas bases quando uma das testemunhas não veio e a única testemunha que tínhamos poderia ser contraditada, pois, minha cliente fora testemunha deste em outra reclamação.
Enquanto aguardávamos, ouvia o Advogado adverso chamar o nome da empresa e ficou andando de um lado para o outro, até que se apresentou e acenou com proposta de acordo.
Ainda, que grosso modo, houvesse uma oportunidade de revelia da empresa, pois, restavam cinco minutos para o início da audiência, obviamente, minha bola de cristal indicava que até o último segundo tudo poderia acontecer. Assim, elevando o valor do acordo para o dobro do ofertado, aceitamos, assim evitaríamos o risco de nossa única testemunha ser contraditada e perder a ação.
Tudo bem resolvido, findava, a princípio, o dia de trabalho, mas, ao sairmos ficamos sentados na sala de espera conversando. Minha colega Advogada, a cliente e a testemunha. O clima, a conversa genérica, a troca de pequenos fatos e histórias transformou o momento, e que se estendeu a caminho do restaurante da esquina e da carona até o metro, quando nos despedimos da testemunha, e seguimos as três juntas no metro.
O dia foi excelente! Mês que vem  cai na conta o valor do acordo.

quarta-feira, 26 de junho de 2019

               



       Dela e dele, 
cada um com sua origem
cada um com seu destino
dela, a antiga lavanderia
dele, o Palacio da Policia
deles a cidade de Santos                                     
o ferro, dela ganhou a vida
a arma, dele tirou a liberdade
deles, vieram três, em duas idades
a separação a todos dispersou
de todos restaram filhos e pais,
dos filhos nasceram os netos
A cidade não é mais a mesma
Ela e ele não mais são,
Dela, Santos não tem mais filha
Dele, São Vicente fez moradia
dela o ferro abandonou
dele, nem a farda nem a arma
Deles a velhice, filhos e netos

cada um com sua origem
cada um com seu destino

terça-feira, 21 de maio de 2019



                   
                    Percebi a minha própria maturidade quando as pessoas perderam o dom de me colocar em saias justas.                     
                     Saias no plural mesmo, porque quem deseja impor uma situação para alguém, não se contenta com o primeiro obstáculo, e vai te empurrando "senões" e"porquês" a fim de atingir um objetivo.
                     É preciso muita maturidade para se desvencilhar de situações como estas.
                     É óbvio que, quando está esperando o "ataque", você prepara seu discurso desvencilhatório. Mas, quando é na surpresa, e você, sem preparo, que precisa ser coerente consigo mesmo, para não se deixar dominar pela vontade alheia em nome de sabe lá o que.
                      É um imenso prazer se deparar maduro, seguro daquilo que quer e também, do que não quer para si.
                     Isso se traduz em RESPEITO consigo mesmo, e descobre nesta pratica que as pessoas só fazem para você aquilo que você permite, e toma ciencia de que permitiu demais, por muito tempo e talvez por isso, as pessoas não te respeitam e tenta, ainda hoje,  te empurrar aquilo que querem, goela abaixo.
                      Os primeiros NÃOS  doem, assustam, e não raras as vezes as pessoas se colocam efusivamente contra sua resistência.
                        Aos poucos as pessoas se acostumam e passam a perceber que se não houver respeito não poderão conviver, e passam a respeitar seu jeito;
                       Não deixe que as pessoas confundam bondade com fraqueza, é possível ser bom e firme, é possível dizer não e ser gentil.

sexta-feira, 2 de novembro de 2018


Fecho o livro intimo,
nem foi a primeira vez
desta vez chorei
não acorrentamos filhos
não queremos volta
tudo cresce e muda
e tudo se amolda

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

O sangue nos laços não resiste às águas cristalinas, ou são as águas cristalinas que não resistem aos laços?


queres acreditar
e devo creditar,
e notas falsas
não observar,
se eu me calo,
talvez não quero,
se não prego alto,
não sei ditar,
mero discurso,
que te permite
amor seguro
a balançar
resta vazio
cheio orgulho
fecham as portas
crescem os muros
e amizades mortas.



Foi breve. 
sem tempo,
sem pensar.
um descarte
jaz, rápido
o repelido
só, sumiu,
as palavras
o silencio
no desenlace,
te conheci.


Não duvides do ódio, ele é criado por vós. Duvides do amor, que nasceu sem que soubesse e pode ir embora sem que o percebas.

quinta-feira, 27 de setembro de 2018





Nem foi o inferno que parece ser, tampouco havia inocencia. Há um quê de imaginario e verdade. Lembro-me criança, das altas janelas de um casarão. Bem pouco tempo, vi uma casa simples cujas janelas nem eram altas. Criamos imagens e lembranças quando somos pequenos, outras pelo sentido, não poderiam ser criadas e por isso, devemos nos permitir voltar em nossos instantes, mas, nunca trazer deles sentimentos infelizes, pois, se nem tudo é imaginario, já não está mais presente. Assim eu faço

quarta-feira, 26 de setembro de 2018


Tereza
O muro, do tanque feito degrau, pulávamos para Tereza cuidar. Vó de nome e carinho vizinho, dos piolhos catados e Maria Chiquinhas, nenhuma voz alterada em nossa lembrança, também nunca viu desconfiada no filho, alguém que gostava demasiado de crianças.
Não raros momentos sombrios, ao ver afagos em pele inocente,que na lembrança da Tereza, seu filho dedicado, nunca o percebeu doente, perseguiu nós, crianças, por anos e anos a fio.
Quando Jaz, outras fugiram com a sorte, do algoz não tiveram a presença, e o filho de Tereza na hora da morte, do Anjo que ao inferno proclamou sentença.
E Tereza, nome de serva e mãe gentil, serviu na vida netos-crianças, aguardava o filho na morte com esperança,mas no céu ninguém falou, ela não viu.


Separado em que distante, não tão triste como pensava ser, eis que tua presença vibrante, impõe-se, incomoda pelo ser oscilante, que faz, que dita aquilo que quer, e deveras quisesse ser tão confiante, teu fraco amor vacilante, não mostra que é o que diz, e aquilo que um dia foi lindo, hoje nem existe a esperança de um amor arrancado a raiz.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018




As vezes o medo de algo, que não sabemos delimitar a forma. Algo que esta no imaginário sem um conceito de existência, sem previsão de tempo, mas, que nos ronda as sensações e nos oprime, desalenta, cansa. Impõe a vontade de um colo, de um abraço, como a nos proteger deste algo, que está em nós mesmos.

terça-feira, 7 de agosto de 2018





Ronda o pensamento, daquilo que não sabe dizer 
embaralha a alma feito ave em revoada 
desequilibra sentimentos, e os aprofunda
destoa o compasso e o batimento do coração,
quem dera fosse o amor, mas, não traz inspiração
nem traz vontade de viver, nem possui emoção,
é o nada que suga tudo, é tudo que parece nada
é sorrateira e triste e de tão triste não acaba,
é a depressão


Versos de eufórica alegria no deslizar de sua inocência cria laços ainda que não meça a distância faz-se em sorriso a melancolia enquanto brinca e caminha na infância.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018






Eu desejei tanto sua alegria e  tu só percebeste o vão entre meus dentes.




Os ferros de meu ser, pintados ao papel de parede, te convencem de minha fortaleza, até que sopres teus ventos constantes a rasgar minhas fragilidades.



A valoração as vezes é de borracha, as vezes estica outras vezes apaga.

                                                                 SOMBRAS
Nem sempre a luz do candeeiro poderá definir a forma das sombras. Colocá-las na penumbra não ajudará a compreende-las, mas, certamente isso dará liberdade a imaginação, que talvez deturpe o seu formato. Será preciso as vezes, se eximir de conceitos predefinidos e também, de sentimentos para compreendê-las, e se ainda assim, for difícil a definição, aproxime-se, pois, quando ver sua própria sombra na mesma posição da que precisa definir, certamente irá compreendê-la.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017



Na sala envolta por uma penumbra não faltava luz, excedia a escuridão aflita da alma, que de bela encobriu-se pela natureza orgulhosa a não permitir sua fraqueza moral em holofotes de luz. Devastada por mentira própria, desnudou alma alheia em telas pinceladas de maldade e emoldurada pelo ódio. Cercou-se então de falsas alegrias e amigos algozes a não mais distinguir onde há luz, onde há verdade. De quando em quando a memória lhe trairá o orgulho, quando se espera deste instante  a voz do infinito, Pura esperança.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017


Amizade que distante fez-se noutro dia,
quando o laço de revigorante,
num intuito degradante,
desfez-se ainda que tardia. 
 
Altiva em choro e lágrima,
a razão desobedecia, 
lamenta agora a amizade,
que no coração jazia. 
 

De tempo em tempo ela se lembra
 com lamento e alegria ,
que plantava naquela amizade ouro, 
e arvoreceu sem fruto em pleno dia

  Destaquei o infinito rudimentar  Dos tempos de outrora em que Nem os sinais arianos que me definiam. Prospera os vestígios  que não ecoam ...